GP Investimentos

 Forma correta de calcular o Valor Patrimonial por Ação

Segundo o Balanço do 3T20 a GP tem um patrimônio líquido de R$ 2.216.738.000,00 (ou seja, mais de 2 bilhões), qualquer um poderia pensar que para se obter o VPA (Valor Patrimonial por Ação) bastaria dividir este valor pela quantidade de ações (109.725.820) o que resulta em R$ 20,20 por ação.

A fórmula está certa, o patrimônio líquido não! a GP é gestora e ao mesmo tempo cotista em alguns fundos de investimento, ao mesmo tempo, detém participação em algumas empresas juntamente com outros sócios, por exemplo, a GP é controladora da Spice (com 58% das ações), neste sentido, ela deve contabilizar a Spice por seu valor contábil, ou seja, contabilizar os investimentos dentro do balanço da Spice como se fosse controladora de 100%, o que não é verdadeiro. Em decorrência disso, um pequeno ajuste deve ser feito no balanço da GP, que é uma conta redutora do patrimônio líquido chamada de “Participação dos Acionistas Não Controladores”, segundo a NBC TSP 6 essa conta se refere a: “aquela parte do resultado e do patrimônio líquido de uma controlada que pode ser atribuída a participações no patrimônio líquido que não sejam possuídas pela controladora, nem direta nem indiretamente através de outras entidades controladas.

Neste caso, a forma correta de calcular o VPA da GP Investimentos é, subtrair do patrimônio líquido a participação dos acionistas não controladores, e então dividir pelo número de ações que consta na pagina 1 do balanço correspondente.

VPA GPIV33 3T20
Patrimônio Líquido 2.216.738.000
(-) Participação dos Não Controladores 895.500.000
(=) Resultado 1.321.238.000
(/) Quantidade de ações 109.745.820
VPA 12,03

Segue também alguns vídeos sobre a GP investimentos

Anotações sobre o livro Valuation

Minhas anotações sobre o livro Valuation

“Um postulado do bom investimento é o investidor não pagar mais por um ativo que seu valor justo.”

Uma consequência disso é que se deve avaliar antes o que se pretende comprar.

“O Preço de uma ação não se justifica apenas pelo argumento de que haverá outros investidores dispostos a pagar um preço mais alto no futuro”

Pois, neste caso, a bolsa de valores não passaria de um esquema ponzi

Existem duas abordagens de avaliação: intrínseca e relativa:

  • Intrínseca: O valor intrínseco é determinado pelos fluxos de caixa que se espera no futuro durante sua vida útil e grau de incerteza à ele associados. Por exemplo: Ao se avaliar imóveis, qual terá maior valor?
    1. Alugueis mais altos e locatários estáveis ou
    2. Aluguéis baixos e taxas de vacância variáveis.
  • Relativa: Estima-se o valor do ativo com base no preço de mercado de ativos semelhantes. por exemplo:
    Imóveis: Qual o preço médio dos imóveis similares no mesmo bairro?
    Ações: Verifica-se indicadores entre empresas similares (do mesmo ramo), por exemplo: Se o banco do Brasil está negociado com um P/L de 5x e seus pares estão negociados a 8x, então o BB está descontado, portanto, barato.

O autor do livro cita que a maioria dos ativos é avaliada com bases relativas, ou seja, com base na comparação entre seus pares, e eu concordo, pois a análise com base relativa é muito mais fácil que projetar fluxos de caixa futuros, eu mesmo havia chegando na mesma conclusão avaliando o P/L dos bancos, como se segue na próxima imagem:

Análise histórica de indicador fundamentalista Preço/Lucro (P/L) de alguns bancos brasileiros.

“A avaliação intrínseca oferece visão mais ampla dos fatores determinantes do valor de uma empresa ou ação, mas há ocasiões em que a avaliação relativa proporcionará estimativa mais realista dos valor de mercado.”

“Fazem-se avaliações em todas as fazes do ciclo de vida das empresas”

Todas as avaliações são tendenciosas

Já se tem opiniões sobre a empresa antes de incluir os números na jogada, e suas conclusões tendem a refletir seus vieses, o viés já começa pela empresa escolhida a avaliação, pois não é uma escolha aleatória.

Por isso precisamos ser honestos quanto a nossos vieses, porque escolhi esta empresa? gosto da administração dela? já tenho ações desta empresa?

Os inputs usados na avaliação também vão refletir o viés do avaliador, tendo uma inclinação otimista ou pessimista, inclusive no polimento pós-avaliação, onde de aplica um ágio ou deságio em função do risco.

A maioria das avaliações estão erradas

“A exatidão é um mau indicador da qualidade da avaliação, é preciso converter informações brutas em previsões e quaisquer enganos cometidos nesse estágio acarretará em erros de estimativa.